Monthly Archives: September 2010

abrir os olhos em Yosemite

Abrir os olhos para uma nova relação com a natureza, que abre os seus para olhar diretamente para nós, pequenos humanos.

Quatro milhões é a estimativa do número de turistas visitam o Parque Nacional de Yosemite anualmente, acredito que que para buscar esse despertar, para enxergar a beleza pelos olhos da mãe natureza.

Deslumbramento é a sensação que se experimenta ao levantar o olhar para os paredões que erguem-se em ambos os lados desse gigantesco vale.

Mas o sentido perdeu-se no caminho. Um resultado positivo ou coerente entre as palavras “quatro milhões” e “deslumbramento” só é possível em eventos como um festival de música ou num protesto pela paz mundial. Num recinto onde a natureza deveria ser capaz de sussurar segredos aos ouvidos daqueles que ali procuram respostas, uma coisa impede a outra. O fluxo de turistas é tamanho que o parque experimenta congestionamentos e outros problemas que geralmente atribuímos apenas a centros urbanos.

Há, todavia, um efeito colateral interessante: a diversidade humana é tamanha que o inglês parece ser a língua menos ouvida e o parque facilmente transforma-se num centro mundial de convenção. Chineses, coreanos, japoneses, indianos, russos, franceses, espanhóis, italianos, irlandeses, brasileiros… em quatro dias que passei no parque posso afirmar que ao menos um cidadão de cada eu vi transitando pelo parque, uns procurando o valioso contato com a natureza, o abrir dos olhos, outros apenas visitando uns pontos aqui e ali, levados de ônibus e isolados por fones de ouvido. Mas mesmos estes, acredito, serão capazes de retornar do parque levando consigo novas concepções para as palavras “belo” e “grande” e inevitavelmente terão experimentado algum tipo de deslumbramento.

Segue aqui meu tributo à beleza do parque na forma em que este foi imortalizado: fotografado em preto e branco, plácido e majestoso, pelas lentes do renomado fotógrafo Ansel Adams. Sem multidões, sem carros, sem fones de ouvido, sua fotografia permanece inspiradora. Confiram aqui o site da galeria existente dentro do parque: http://www.anseladams.com

e aqui um pouco mais sobre o parque: http://en.wikipedia.org/wiki/Yosemite_National_Park

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back to Rock Climbing!

Vai aqui uma amostra do meu último dia em Yosemite, um dos melhores e mais extenuantes da viagem até aqui. Voltar a escalar depois de mais de um ano parado e ver que não estou tão enferrujado assim foi ótimo. As três fotos em que apareço foram tiradas por Phill, o carismático instrutor que mais tarde confessou já ter ganhado algum dinheiro vendendo fotos de escalada (além de rafting e de natureza) ao longo de seus 34 anos de experiência neste apaixonante esporte. O outro personagem que figura nesse breve ensaio é Ali, músico londrino que está, assim como eu, em uma viagem pelos EUA em busca de respostas, mas as quais pretende mesmo encontrar na Nova Zelândia, aonde vai tentar uma nova vida, longe de grandes centros urbanos. Continue reading

old fashion postcards

A natureza sempre me surpreende com sua inesgotável capacidade de edificar o belo a partir do que é pequeno e sutil ou do que espalha-se gigante e imponente. O micro e o macro refletem a beleza do cosmos em infinitas formas e cores. Exemplos de tamanha beleza são fáceis de serem encontrados em Yellowstone.

Proteger essa ligação cósmica nem sempre foi uma preocupação humana. A idéia de que a natureza deve ser preservada e sua vivência acessível a presentes e futuras gerações não era comum até cerca de 1872, ano de fundação do Parque Nacional de Yellowstone, o primeiro Parque Nacional do mundo. Ao redor do mundo, muitos outros parques foram criados baseados no modelo aqui traçado, inclusive os nossos próprios parques tupiniquins.

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Burning Man

Wow!

Falar sobre Burning Man com quem nunca lá esteve é como tentar discutir com um cego o que é a cor vermelha. O que é o vermelho, o azul, o amarelo? O que é isso que chamamos de realidade, o que chamamos de trabalho, de relacionamentos, de direito e dever, de viver em sociedade?

Burning Man é, acima de tudo, um estado da mente. É, segundo definição que me pareceu bastante próxima à realidade do fenômeno: “an annual celebration of radical self-expression”. Mas para os que pouco ou nada ouviram falar deste incrível festival vai aqui uma tentativa de explicá-lo:

Cerca de 50 mil pessoas de todo o mundo, desde crianças, apesar de não muitas, até respeitáveis senhores e senhoras, reunem-se no deserto de Nevada anualmente na superfície de um lago seco cercado por uma cadeia montanhosa. Durante sete dias o Black Rock Desert transforma-se em Black Rock City, cidade que nasce em forma de ferradura nesta paisagem plácida e sublime. O primeiro Burning Man aconteceu em 1986 e acreditem, conheci burners que já estavam em sua 15ª edição consecutiva do evento. Não me surpreenderia encontrar alguém que foi em todas as edições. Não se trata de um festival de música mas essencialmente de uma grande festa para a expressão, interpretação e comunicação pela arte.

A arte aqui assume a forma de carros mutantes (às vezes pequenos até mesmo para uma pessoa ou grandes o suficiente para levar dezenas), bicicletas customizadas, acampamentos temáticos, esculturas de 10 metros de altura, instalações, templos, praças. O fogo é um elemento sempre presente, seja em fontes de água em estranha combustão, em pêndulos sobre pólvora que queima verde ou em dezenas de lança chamas instalados em carros ou esculturas. As maiores peças de arte, no entanto, são as pessoas que engajam-se no espírito de Burning Man.

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