A meta

A rocha, sólida, gigante, não faz julgamento, sequer nota a presença do homem. A rocha é mutante através dos Éons, mas perante a pequenez humana, é estática, e é eterna.

Buraco das Araras, Formosa – GO

Belchior – Caminho para Alto Paraíso, GO

Agarrar-se à pedra, sentí-la pulsar, sob os dedos, sentir os sulcos que se aderem à sola emborrachada na ponta dos pés, segurar com força sua pele maciça e enrugada, quase um afago, mas longe de sê-lo.

Aquele que escala tem a mente focada, preenchida por um só pensamento: subir.

A recompensa o aguarda após a última agarra. Prêmio abstrato, impalpável, mas tão real quanto a rocha que o suporta. Há de impulsionar-se, não hesitar, não duvidar, não temer.


Mas se por acaso o medo vencer, se por acaso a pedra deslizar por entre os dedos, o corpo que cai, é a mente que se liberta. Não há medo, não há derrota, nem tampouco há vitória. No vazio da queda criam-se asas.

A meta não é o topo, mas o caminho.

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crédito sobre fotos em que apareço: Guilherme Ribeiro e Marco Caçador.

5 thoughts on “A meta

  1. Daniela

    fotos incriveis! mas o texto nao fica por menos… “o corpo que cai é a mente que liberta”. é isso ae!

    Reply
  2. Pingback: Top10 Calefação 2011 «

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