Tag Archives: Bariloche

Branca Vitrine

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partículas de consciência

Em nosso último post falamos da superfície deste planeta, camada mais externa da entidade Gaia. Uma vez estabelecida essa compreensão é natural que cheguemos ao questionamento de qual relação existiria, portanto, entre este ser vivente e os demais que mais facilmente percebemos: plantas, animais e nós, humanos. Que papel cabe a nós, pequeninos diante de Gaia, se é que podemos arriscar a arrogância de que temos um papel perante tamanha grandiosidade. Pois sim, podemos.

Nós, humanos, somos as partículas de consciência e inteligência de nosso planeta mãe. E para melhor argumentar este ponto eu não poderia recorrer a outra verdade senão a da já antes aqui mencionada, a pariedade entre o macro e o micro (a observasão deste aspecto em tudo que nos rodeia parece abrir infinitas portas para a compreensão do cosmos!). Pense da seguinte forma:

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A pele de Gaia


Estas imagens são do que convencionamos chamar de montanhas, mas são também de sulcos na pele de Gaia. Heim? Pois sim, vamos explorar uma analogia bastante simples. Voltamos, novamente, a idéia da pariedade entre micro e o macro, o que está em cima está em baixo, e assim por diante.

Olhe de perto a face da sua mão, mas bem de perto mesmo. Observe a textura da sua pele, os poros que se abrem mais e são mais espalhados em certos pontos, são mais próximos entre si em outros. Observe os pêlos que nascem todos na mesma direção, e aqueles que teimam em nascer no sentido oposto. Observe o nó dos seus dedos, essas figuras enrugadas, maleáveis. Olhe atentamente por debaixo da pele, onde as veias azuis-esverdeadas distribuem-se, nutrindo o seu corpo. Repare na ponta dos seus dedos, onde nascem as unhas, esse tecido mais duro, de queratina, e veja como ela vai mudando suavemente sua coloração até desprender-se da pele. Procure por pintas, acnes, verrugas, marcas, dobras, cicatrizes… aprecie a unicidade e a variedade que é a sua pele, o maior órgão do corpo humano.

Agora olhe novamente para as imagens acima. Não torna-se clara a percepção de que são essas as imagens de uma pequena parte do organismo tão grande em que habitamos, tão diverso e ao mesmo tempo tão único? Um ser tão imenso que ao olhar desatento passa desapercebido, frio, inerte? Como poderíamos cair na ilusão de que são essas montanhas apenas resultado de um acidente geográfico, um amontoado morto de pedras, gelo e neve? Não percebes como estão elas também vivas, pulsantes, dinâmicas. São o resultado de uma pele que se estica e comprime, que move-se para cima ao longo dos éons, esculpida pela água e pelo vento, pulsante através das estações.

Da próxima vez que defrontar-se com florestas, planícies, rios, lagos, mares, falésias, morros ou quantos outros “acidentes geológicos”, tente observá-los de um ângulo mais próximo, mais íntimo, e perceberás ainda melhor a beleza jamais estática que é o nosso planeta vivente, a entidade GAIA.

Individualidade







A questão da individualidade passa, antes de mais nada, pela aparência externa, qualidade observada de imediato, à primeira vista. Como nos mostramos aos outros, que mensagem desejamos transmitir em nossa simples presença? A vestimenta é a maior ferramenta que temos à disposição para a transmissão desta mensagem. Não é de surpreender que a moda é um dos mercados mais glamorosos, dinâmicos e ricos de nossa sociedade: a escolha de um estilo determinará quem somos, ao menos nos âmbitos mais superficiais da definição.

Nestes 4 dias que passei no Cerro Catedral, principal montanha para a prática do ski e snowboard em Bariloche (arrisco dizer na Argentina), foi interessante observar como as pessoas tentavam imprimir sua personalidade em vestimentas dedicadas a temperaturas sub-zero.

Trata-se de um desafio, onde vestir-se bem ou vestir-se de acordo com sua personalidade requer muito mais atenção e dedicação. Atenção esta, vale notar, que muitos não estão dispostos a dispensar. Brasileiros, em geral, estão neste grupo preguiçoso, no qual o que conta é vestir o que achou de mais barato e isolante, combinação que costuma resultar em jocosos resultados.

O garimpo de peças que agradem tende a ser mais difícil, a combinação entre o que vai na cabeça, no tronco e nas pernas é certamente mais complexa. Cobrir cada pedaço de pele, não deixar sequer os olhos à amostra, como as opressoras burcas islâmicas, pode ser mais que uma opção estética: em dias que a temperatura chega a -15ºC, seria loucura não fazê-lo.

Mas no final das contas, o que me deixou realmente a matutar foi a a realidade crua e nua por trás daquelas camadas de roupa e daqueles óculos espelhados. Quem é aquele que passa por mim vestido de preto, da cabeça aos pés, com olhos de ciclope? E quem é aquela que deixa suas tranças douradas dançar no vento gélido? Quem são estes que se escondem como podem, na brancura que tudo revela?